13 de Outubro de 2026
A farmacêutica BridgeBio anunciou recentemente que a agência norte-americana de medicamentos (FDA) aceitou para avaliação o pedido de autorização do fármaco infigratinib por via oral para o tratamento de crianças com acondroplasia. O pedido recebeu o estatuto de revisão prioritária (Priority Review), estando prevista uma decisão até 4 de fevereiro de 2027.
Desenvolvido pela BridgeBio, o infigratinib é um medicamento experimental que procura inibir a sinalização do recetor FGFR3, cuja atividade excessiva está associada à acondroplasia e interfere com o desenvolvimento das placas de crescimento ósseo.
A acondroplasia é uma displasia óssea caracterizada por baixa estatura desproporcionada que pode estar associada a diversas complicações clínicas, incluindo apneia obstrutiva do sono, problemas do ouvido médio e estenose do canal vertebral.
Saiba mais sobre acondroplasiaO pedido de autorização baseia-se, entre outros dados, nos resultados do ensaio clínico de fase 3 PROPEL 3 (consultar aqui) que avaliou o tratamento em crianças com acondroplasia durante 52 semanas com o fármaco referido. O estudo atingiu o objetivo principal de avaliar a alteração da velocidade de crescimento anualizada (AHV) e o objetivo secundário de avaliar a alteração do índice Z de altura. Os resultados divulgados foram os seguintes:
O ensaio avaliou também indicadores exploratórios relacionados com complicações clínicas da acondroplasia. Segundo a empresa, foram observadas tendências favoráveis nos indicadores associados à apneia do sono e à otite média. No entanto, são necessários estudos adicionais para avaliar a relevância clínica destes resultados (saiba mais aqui).
De acordo com os dados divulgados, o tratamento foi geralmente bem tolerado durante o período do estudo, sem interrupções nem situações adversas graves relacionadas com o fármaco. Os resultados do PROPEL 3 foram publicados na revista científica The New England Journal of Medicine e apresentados no Congresso Internacional de Saúde Óssea Infantil (ICCBH) de 2026.
Avaliação regulamentar
A atribuição de revisão prioritária pela FDA permite acelerar a avaliação de medicamentos que poderão responder a necessidades médicas relevantes. No entanto, a aceitação do pedido e a revisão prioritária não significam que o medicamento tenha sido aprovado. A decisão final dependerá da avaliação dos dados de eficácia e segurança.
A BridgeBio prevê apresentar um pedido de autorização de introdução no mercado à Agência Europeia de Medicamentos ainda este ano. O infigratinib oral permanece um medicamento experimental para a acondroplasia, estando a sua eventual utilização dependente das decisões das autoridades reguladoras.
Caso o infigratinib seja aprovado, poderá alargar as opções terapêuticas disponíveis para crianças com acondroplasia. A sua eficácia e segurança, bem como o impacto dos resultados para além do crescimento, deverão continuar a ser avaliados à medida que forem disponibilizados novos dados.
A ANDO continuará a acompanhar a evolução dos processos regulamentares e a divulgar informação relevante sobre novas opções terapêuticas para as pessoas com displasias ósseas.
Fonte: BridgeBio, comunicado de 6 de outubro de 2026. Ver aqui. Os resultados apresentados correspondem aos dados divulgados pela empresa.