A Hipofosfatémia ligada ao cromossoma X, também conhecida por raquitismo hipofosfatémico ou XLH (do inglês X-linked Hipophosphatemia), ocorre em aproximadamente 3,9-5 por 100.000 nascimentos1. É uma doença genética com um padrão hereditário ligado ao cromossoma X, embora 20 a 30% dos casos surjam por mutação espontânea. O diagnóstico é feito pelo conjunto do historial familiar, manifestações clínicas e evidências biomédicas.

Os sintomas precoces, como as pernas arqueadas ou joelho valgo tornam-se claros quando a criança começa a andar. A XLH envolve mais que apenas os ossos e o seu impacto nos indivíduos e famílias pode ser profundo.

 

Causa

A XLH é causada por uma mutação no gene PHEX, responsável pela regulação do fosfato no corpo, que leva a que os rins excretem mais fosfato que o normal. Consequentemente, conduz a baixos níveis de fosfato no sangue afetando a mineralização normal dos ossos e dentes2,3. Os desafios começam na infância, durante o crescimento, persistindo e, frequentemente, aumentando durante idade adulta.

 

Fig. 1. Sintomatologia e fisiopatologia da XLH. Sinais, sintomas, sequelas e consequências a longo prazo em crianças e adultos. Adaptado de: Orphanet Journal of Rare Diseases

Características Clínicas4,5,6

Algumas pessoas com XLH não têm sintomas aparentes relacionados com os ossos, apresentando apenas hipofosfatemia, enquanto outras têm sintomas graves. Em muitos casos, os sintomas tornam-se aparentes nos primeiros 18 meses de vida, quando a criança começa a ter peso nas pernas:

  • Desenvolvimento ósseo anormal (levando à curvatura ou torção da parte inferior das pernas)

  • Dor óssea e muscular

  • Dor articular causada pelo endurecimento (calcificação) dos tendões e ligamentos

  • Fraqueza

  • Marcha bamboleante

  • Desenvolvimento anormal dos dentes, abcessos dentários e dor

  • Raquitismo que não melhora com a terapia tradicional com Vitamina D

  • Desenvolvimento anormal do crânio

  • Baixa estatura ou taxa de crescimento mais lenta

  • Genu varum

 

Diagnóstico4

A XLH é diagnosticada com base num exame físico, imagiologia raio-x, testes sanguíneos e no historial familiar. Os factores específicos considerados para o diagnóstico incluem:

  • Uma taxa de crescimento lento e uma curvatura notável das pernas

  • Níveis baixos de fosfato no sangue

  • Níveis elevados de FGF23 no sangue

  • Falta de resposta do nível de fosfato ao tratamento com vitamina D

  • Alta excreção de fosfato nos rins

  • Embora não sejam essenciais para o diagnóstico, os testes genéticos para a XLH podem confirmar a mutação.

 

O impacto de viver com a XLH

A XLH é uma doença para toda a vida. Está associada a um estigma e as complicações físicas e psicológicas afetam as crianças e os adultos. Os desafios psicológicos de viver com uma doença genética incluem saber que pode ser passada para os descendentes. Esta consideração é importante e pode causar angústia emocional. A baixa estatura tem o potencial de levar a bullying e gozo. As pessoas com XLH podem precisar de adaptações em casa, no trabalho e na escola. A incapacidade pode levar à depressão e influencia a habilidade de trabalho e de executar as tarefas do dia-a-dia.

 

Tratamento

Para determinar a extensão da doença e as necessidades de cada indivíduo são recomendadas as seguintes avaliações:

Nas crianças:

  • Uma radiografia às extremidade inferiores e aos pulsos para avaliar a extensão da doença esquelética

  • Medição do desenvolvimento ósseo para avaliar o potencial de crescimento

  • Exame craniofacial para encntrar sinais de craniossinostose

  • Exame dentário

  • Avaliação da audição

Nos adultos:

  • Radiografias de locais do esqueleto com dor relatada para avaliar entesopatias ou fracturas

  • Exame dentário

  • Avaliação da audição

Em qualquer idade:

  • Avaliação das pessoas com dores de cabeça e vertigens (malformação de Chiari)

  • Consulta de aconselhamento genético

São necessários suplementos de fosfato, habitualmente combinados com uma dose elevada de calcitriol, que permite uma melhor absorção do cálcio7. Nas crianças, o tratamento é geralmente iniciado no momento do diagnóstico e continua até que os ossos parem de crescer2. Nos adultos, o principal objectivo do tratamento é atenuar a dor.

Outros tratamentos para XLH, dependendo dos sintomas e da gravidade, podem incluir2,7:

  • Hormona de crescimento

  • Cirurgia correctiva para fixar pernas arqueadas ou dobradas

  • Tratamento para reparar anomalias do crânio, tais como fusão prematura dos ossos do crânio (sinostose)

  • Procedimentos dentários para tratar a dor nos dentes e nas gengivas.

 

Tratamentos aprovados pela EMA/FDA:

O medicamento Burosumab (comercializado com o nome Crysvita) é utilizado para o tratamento da XLH e pode ser utilizado em crianças com mais de 1 ano de idade, adolescentes com esqueletos em crescimento, caso sejam observados sinais de alteração óssea em radiografias e já se encontra aprovada indicação para adultos também.

A XLH é uma condição rara, por isso o Burosumab recebeu designação de Medicamento Órfão a 15 de Outubro de 2014, pela Agência Europeia do Medicamento (EMA). Uma vez que obteve uma aprovação condicional, a empresa que o comercializa fornecerá resultados actualizados sobre estudos realizados. Consulte informação completa sobre este medicamento aqui8.

 

O que pode ser feito para melhorar os resultados em saúde na XLH?

  • É necessário que a comunidade de profissionais de saúde, cuidadores, e os investidores, reconheçam que a XLH é uma doença incurável, para toda a vida e que está associada a uma série de sintomas debilitantes;

  • É necessário um diagnóstico precoce e preciso de forma a que o tratamento possa ser iniciado prontamente; todos os recém-nascidos com XLH no historial familiar devem ser testados para a presença da mutação relevante;

  • Os profissionais de saúde dos cuidados primários devem ser educados sobre a doença e para a necessidade de referênciação urgente;Todos os pacientes devem ser avaliados e geridos por equipas multidisciplinares que incluam serviços médicos e de suporte;

  • É importante garantir o acesso atempado e monetariamente acessível a medicação ajustada às necessidades individuais, sem diferenças relativas ao país de residência ou às circunstâncias socioeconómicas;Os serviços sociais devem estar cientes da doença e das complicações a si associadas, de forma a garantir o apoio aos pacientes e aos cuidadores;

  • São necessárias linhas orientadoras internacionais baseadas na evidência, desenvolvidas com o apoio das pessoas com XLH, de forma a garantir um tratamento consistente de todas as pessoas afetadas;

  • Deve ser fornecida informação confiável e de acesso fácil aos pacientes, de forma a evitar que se façam suposições e recebam informação obsoleta;

  • Os pacientes e cuidadores devem ser educados sobre os seus direitos de forma a ajudá-los a terem acesso ao tratamento e ao apoio;A investigação contínua sobre os tratamentos melhorados deve ser feita e apoiada.

 

Onde posso aceder a mais informação e apoio sobre a XLH

A XLH Alliance pode colocá-lo/a em contacto com uma organização de XLH no seu país (se existir uma) e pode fornecer informação e apoio às pessoas afetadas pela doença.

 

Como posso ajudar

  • Pode apoiar as pessoas com XLH partilhando informação sobre a doença;

  • Pode contribuir para a recolha de fundos para as organizações e para a investigação sobre a XLH;

  • Pode-se voluntariar com o seu tempo para apoiar o seu grupo nacional ou a XLH Alliance.

 

Descarregue este infográfico aqui

 

Saiba mais sobre:

 

Referências

1. Davies M, Stanbury S. The rheumatic manifestations of metabolic bone disease. Clin Rheum Dis. 1981;7:595–646.

2. Ruppe MD. X-Linked Hypophosphatemia. GeneReviews; jan 7, 2021; http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK83985/#rickets-xlh.

 3. Dixon PH, et al. Mutational analysis of PHEX gene in X-linked hypophosphatemia. J Clin Endocrinol Metab. 1998;83:3615–23.

 4. Carpenter TO, et al. A clinician's guide to X-linked hypophosphatemia. J Bone Miner Res. 2011;26:1381–8.

 5. Hardy DC, et al. X-linked hypophosphatemia in adults: prevalence of skeletal radiographic and scintigraphic features. Radiology. 1989;171:403–14.

 6. Pronicka E, et al. Anthropometric characteristics of X-linked hypophosphatemia. Am J Med Genet A. 2004;126A:141–9.

 7. Chan JCM. Hypophosphatemic Rickets. Medscape Reference. jan 7, 2021; https://emedicine.medscape.com/article/922305-overview.

 8. EMA. Crysvita, burosumab. jan 7, 2021; https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/crysvita

 

Agradecimentos

A Tenna Toft Silvest, por ceder a fotografia de topo, tirada a pedido e em específico para esta página sobre XLH. A Tenna tem XLH, é uma excelente colega e tem 2 filhas gêmeas de 3 anos, uma também tem XLH. A Tenna é presidente da Associação Dinamarquesa de XLH e vice-presidente da International XLH Alliance.

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