Bolsa ANDO 2026: duas semanas de aprendizagem e descoberta no Hôpital Necker-Enfants Malades, em Paris

11 de agosto de 2026


A Bolsa ANDO 2026 proporcionou a dois estudantes de Medicina uma experiência única de aprendizagem e contacto direto com uma das equipas de referência mundial na área das displasias ósseas.

Bolsa ANDO 2026
Bolsa ANDO 2026

 

Esta iniciativa da ANDO Portugal consiste num estágio de duas semanas em ambiente hospitalar, dirigido a estudantes de cursos da área da saúde em Portugal, com o objetivo de promover o conhecimento sobre as displasias ósseas e aproximar os futuros profissionais de saúde de centros altamente especializados.

Na edição de 2026, o estágio decorreu no Hospital Necker-Enfants Malades, em Paris, sob tutoria da Prof.ª Valérie Cormier-Daire, M.D., Ph.D., geneticista clínica e investigadora de referência internacional, e com o acompanhamento de uma equipa especializada em Genética Médica e Displasias Ósseas.

Foram selecionados Eduardo Rodrigues, estudante do 4.º ano de Medicina na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior (UBI), e Joana Almeida, estudante da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (UL). A ANDO assegurou os custos de viagem e alojamento, permitindo aos estudantes viver esta experiência de mobilidade e formação internacional.

 

Uma experiência clínica e humana

Para Eduardo Rodrigues, a Bolsa ANDO representou uma oportunidade para conhecer de perto uma área ainda pouco presente na sua formação académica. "Integrar a rotina diária, de 8 horas diárias, neste centro de referência mundial foi uma experiência de enorme aprendizagem humana e profissional."

Entre os aspetos que mais o marcaram esteve a forma como a Genética Médica acompanha as pessoas com doenças raras de forma continuada e global, bem como a forte articulação entre diferentes especialidades. A participação nas reuniões de serviço, onde são discutidos casos complexos e situações ainda sem diagnóstico definido, despertou também um interesse renovado pela investigação clínica.

Durante o estágio, Eduardo teve ainda oportunidade de aprofundar o trabalho da sua tese sobre opsismodisplasia, tendo recolhido dados de quatro doentes, incluindo dois casos inéditos na literatura científica. "Compreender o percurso das famílias e ver a equipa unir esforços, desde a observação clínica até ao dia passado no laboratório, reforçou a minha curiosidade transversalmente", refere.

Também para Joana Almeida, o contacto com uma realidade clínica tão especializada foi particularmente marcante. "Foi fascinante perceber como diferentes áreas do conhecimento se cruzam no acompanhamento de pessoas com doenças tão raras e complexas."

 As consultas foram um dos momentos que mais a marcaram, permitindo-lhe observar casos pouco frequentes e compreender o raciocínio clínico por detrás das decisões tomadas para cada pessoa. A estudante destaca ainda a forma como toda a equipa recebeu os dois bolseiros, desde o primeiro dia, proporcionando-lhes um ambiente de aprendizagem próximo e estimulante. "A dedicação de todos os membros da equipa e, sobretudo, a sua paixão pelo conhecimento deram-me uma nova perspetiva sobre estas patologias e sobre a importância de continuar a aprender e a investigar nesta área."

 

Muito mais do que um estágio

Para além da componente clínica e científica, a Bolsa ANDO proporcionou aos dois estudantes uma experiência de mobilidade internacional e crescimento pessoal. As duas semanas em Paris permitiram conhecer uma nova realidade profissional, contactar com um sistema de saúde diferente e estabelecer relações com profissionais que diariamente trabalham na área das doenças raras e das displasias ósseas.

Para Joana, esta dimensão acabou por tornar a experiência ainda mais especial: "Foi uma combinação muito feliz entre crescimento profissional, descoberta e crescimento pessoal."

Eduardo destaca igualmente o impacto da experiência no seu percurso enquanto futuro médico e cidadão europeu, salientando a oportunidade de conhecer mais de perto as redes de saúde e investigação europeias.

 

A ANDO aposta nos futuros profissionais

A Bolsa ANDO nasceu com o objetivo de contribuir para uma maior sensibilização e formação dos futuros profissionais de saúde relativamente às displasias ósseas, uma área altamente especializada e ainda pouco abordada na formação médica. Ao proporcionar contacto direto com equipas internacionais de excelência, a iniciativa pretende não só complementar a formação académica dos estudantes, mas também despertar o interesse pela investigação e pelo acompanhamento multidisciplinar das pessoas com displasia óssea.

A ANDO agradece à Prof.ª Valérie Cormier-Daire e a toda a equipa do Hôpital Necker-Enfants Malades pela disponibilidade, acolhimento e partilha de conhecimento, bem como aos dois bolseiros pela dedicação demonstrada ao longo desta experiência. Para o Eduardo e a Joana, ficam duas semanas de aprendizagem intensa, novas perspetivas sobre a Medicina, as doenças raras, as displasias ósseas e, sobretudo, uma experiência que levarão consigo para o futuro.

A Bolsa ANDO continua, assim, a aproximar estudantes portugueses dos grandes centros internacionais de conhecimento em displasias ósseas, contribuindo para formar os profissionais que amanhã estarão mais preparados para acompanhar e cuidar das pessoas com doenças raras.

 

Leia os testemunhos completos dos alunos:

A Bolsa ANDO proporcionou-me a oportunidade única de sair da realidade a que estou habituada e contactar de perto com uma área tão específica como a das displasias ósseas. Durante duas semanas, tive a oportunidade de acompanhar uma equipa de referência no Hôpital Necker-Enfants Malades, hospital emblemático pela sua história e pela excelência dos cuidados, ensino e investigação.

Mais do que observar a prática clínica, foi fascinante perceber como diferentes áreas do conhecimento se cruzam no acompanhamento de pessoas com doenças tão raras e complexas. A dedicação de todos os membros da equipa e, sobretudo, a sua paixão pelo conhecimento deram-me uma nova perspetiva sobre estas patologias e sobre a importância de continuar a aprender e a investigar nesta área.

As consultas foram alguns dos momentos mais marcantes. Para além da oportunidade de observar casos que dificilmente teria contacto no meu percurso habitual, foi particularmente interessante perceber o raciocínio por detrás de cada decisão e a forma individualizada como cada pessoa era acompanhada. Para além do diagnóstico e do tratamento, existe uma preocupação constante em compreender a pessoa na sua globalidade.

A forma como fomos recebidos pela equipa tornou tudo ainda mais especial: desde o primeiro dia fizeram-nos sentir parte daquele espaço, mostrando uma enorme disponibilidade para responder às nossas perguntas, explicar cada caso e partilhar connosco o seu conhecimento.

Fora do hospital, tive a oportunidade de conhecer Paris através de uma lente mais pessoal e de perceber como é a vida de quem trabalha e vive numa cidade que vai muito para além da Torre Eiffel. Entre os dias no hospital, caminhadas pela cidade, as descobertas e os momentos partilhados, Paris acabou por fazer parte desta aprendizagem de uma forma inesperada. Foi uma combinação muito feliz entre crescimento profissional, descoberta e crescimento pessoal.

Regresso a Portugal com boas memórias, muitas aprendizagens e um novo amigo com quem partilhei tudo isto. Fico muito grata à ANDO, à Prof.ª Valérie Cormier-Daire e a toda a equipa do Institut Imagine pela forma como nos receberam e por tudo aquilo que nos permitiram aprender. Foi um privilégio poder viver estes dias e uma oportunidade que irei recordar, sem dúvida, com muito carinho.

Joana Almeida
Faculdade de Medicina | UL
Joana Almeida - Bolsa ANDO 2026

A Bolsa ANDO permitiu-me viver duas semanas no Serviço de Genética Médica do Hôpital Necker-Enfants Malades. Integrar a rotina diária de 8 horas diárias neste centro de referência mundial foi uma experiência de enorme aprendizagem humana e profissional, algo que dificilmente teria no meu atual currículo médico, onde a Genética é pouco abordada e não contempla um estágio prático.

Surpreendeu-me e fascinou-me ver como a Genética Médica funciona. Na prática, como uma espécie de "médico de família" das doenças raras, prestando acompanhamento holístico e contínuo a doentes e famílias. Foi notável a recetividade e acompanhamento da equipa e de referências como a Prof.ª Valérie Cormier-Daire, a Dr.ª Caroline Michot e a Dr.ª Geneviève Baujat que serviram de inspiração, mostrando como excelência clínica e empatia se cruzam na abordagem ao doente, no âmbito das displasias.

Fiquei impressionado com esta abordagem multidisciplinar, na forma como diferentes especialidades se articulam para dar resposta a quadros clínicos complexos. O contacto com essa complexidade, aliado à participação nas reuniões de serviço onde são discutidos casos sem diagnóstico definido, suscitaram em mim um interesse pelo trabalho de investigação clínica. Compreender o percurso das famílias e ver a equipa unir esforços, desde a observação clínica até ao dia passado no laboratório, reforçou a minha curiosidade transversalmente.

Em paralelo, o tempo dedicado à minha tese sobre Opsismodisplasia revelou-se altamente produtivo na sua caracterização clínica, molecular e análise do acompanhamento respiratório a longo prazo. Assim, consegui recolher dados de quatro doentes, incluindo dois casos inéditos na literatura científica.

Esta experiência internacional contribuiu para enriquecer o meu percurso enquanto cidadão europeu, e para aprofundar a minha visão sobre os sistemas de saúde e redes de investigação europeias. A energia e a magia da cidade serviram de cenário a duas semanas de grande crescimento, equilibrando a exigência do estágio com a oportunidade de vivenciar o romance do rio Sena, do Canal de Saint-Martin ou da Torre Eiffel.

Agradeço à ANDO pelo apoio crucial para viabilizar um estágio com impacto direto na minha formação médica, no meu trabalho de investigação e na promoção do meu crescimento enquanto futuro médico e cidadão.

Eduardo Rodrigues
Faculdade de Ciências da Saúde | UBI
Eduardo Rodrigues - Bolsa ANDO 2026
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