Revisão sistemática da literatura sobre o impacto da limitação da mobilidade nas doenças ósseas raras

11 de Setembro de 2025

Este trabalho, publicado recentemente na revista Therapeutic Advances in Musculoskeletal Disease, resulta de um esforço colaborativo entre representantes de organizações nacionais e europeias, profissionais de saúde, profissionais da indústria farmacêutica e da consultora Costello Medical, tendo sido realizada uma pesquisa extensa e profunda da bibliografia científica existente sobre o impacto das dificuldades de mobilidade em pessoas com doenças ósseas raras e identificar as ferramentas de avaliação existentes para medir essas limitações.

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A systematic literature review of the impact and measurement of mobility impairment in rare bone diseases
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Método e resultados

O estudo analisou artigos publicados entre 2011 e 2022, totalizando 113 artigos que dizem respeito a 39 condições ósseas raras. As amostras nestes estudos variaram muito em tamanho, desde casos de pessoas isoladas até grupos de quase mil pessoas.

Verificou-se que os desafios de mobilidade (nomeadamente, problemas nas articulações ou dificuldades na marcha) têm impacto negativo frequente nas atividades diárias (47 coortes analisadas; em 57,4 % dos casos, o caminhar é afetado) e na qualidade de vida (> 83 % reportam dor) das pessoas com condições ósseas raras.

 

Ferramentas de avaliação e lacunas identificadas

Foram descritas 34 avaliações funcionais, 22 questionários e 5 tecnologias. Apenas nove (entre as avaliações funcionais e os questionários) apresentaram boa validade, confiabilidade e capacidade de resposta para uso nas condições ósseas raras (não relatado para tecnologias).

O estudo verificou ainda que nenhuma das ferramentas descritas avaliou, de forma abrangente, o impacto da mobilidade reduzida nas atividades da vida diária e na qualidade de vida, cobrindo todos os domínios relevantes. De notar que a qualidade dos estudos foi razoável, embora muitos fossem estudos de caso, apresentando um risco inerente de viés.

 

Implicações e recomendações

O estudo concluiu que há uma necessidade clara de desenvolvimento ou adaptação de instrumentos de medição que capturem de modo global o impacto na mobilidade das pessoas com doenças ósseas raras.

O uso de tecnologias remotas (por exemplo, wearables) pode ser promissor para monitorizar a mobilidade em contextos reais de vida quotidiana, mas é necessário validar essas tecnologias para as populações específicas com condições ósseas raras.

Os profissionais de saúde e investigadores devem reportar de forma consistente os parâmetros de validade, fiabilidade e capacidade de resposta dos instrumentos usados, para que se possa comparar resultados entre estudos e melhorar a escolha clínica.

 

Relevância para ANDO Portugal

Este estudo reforça o papel essencial de organizações como a ANDO na promoção de investigação focada nas reais necessidades das pessoas com doenças ósseas raras em Portugal. A participação da ANDO (via Inês Alves) evidencia que estamos integrados nessa discussão global, contribuindo para:

  • sensibilizar para os efeitos quotidianos da mobilidade reduzida;

  • promover a adoção de instrumentos de avaliação mais adequados no âmbito clínico e de investigação;

  • fomentar o uso responsável e validado de novas tecnologias de apoio ao diagnóstico e acompanhamento.

 

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