5as Jornadas de Doenças Ósseas Raras: um marco para a Investigação Portuguesa

03 de Julho de 2025

As 5.as Jornadas de Doenças Ósseas Raras, organizadas pela Equipa Multidisciplinar de Doenças ósseas Raras da Unidade Local de Saúde de Coimbra (ULS Coimbra-ERN-BOND), GruPEDGE e Associação de Saúde Infantil de Coimbra, realizaram-se com grande participação nos dias 30 de junho e 1 de julho de 2025, no ISEC - Instituto Superior de Engenharia de Coimbra. Este encontro científico consolidou-se como um dos principais eventos nacionais dedicados ao estudo e tratamento das displasias ósseas.

O programa incluiu sessões de atualização sobre equipas multidisciplinares de displasias ósseas, ensaios clínicos em curso em Portugal e a rede europeia ERN-BOND. As jornadas reuniram especialistas de múltiplas áreas (pediatria, ortopedia, endocrinologia, reumatologia, genética médica e reabilitação) demonstrando a importância da abordagem multidisciplinar no tratamento das doenças ósseas raras. Destaque para as apresentações feitas pela Professora Valérie Cormier Daire, do Hospital Necker-Enfants Malades de Paris, que apresentou a organização da rede de referência francesa e uma revisão sobre displasias acromélicas.

 

Participação da ANDO Portugal

De referir a participação ativa da ANDO e da APOI (Associação Portuguesa de Osteogénese Imperfeita) que colaboraram para a elaboração do questionário compreensivo sobre opções reprodutivas, apresentação dos resultados, reforçando o papel fundamental das associações de doentes na investigação e cuidados. Os resultados deste questionário serão apresentados numa próxima notícia.

As Jornadas abordaram temas cruciais como dor crónica nas displasias ósseas, diagnóstico pré-natal, oftalmologia especializada e cuidados multidisciplinares. Um total de 21 comunicações orais foram apresentadas em três sessões dedicadas a casos clínicos e casuísticas.

André Abreu, vencedor da Bolsa ANDO 2024, conquistou ex-equo o prémio de melhor comunicação oral com o trabalho "Clinical and molecular characterization of 17 patients with acrodisostosis and genotype-phenotype correlation". Este estudo retrospetivo multinacional, realizado sobre a orientação do Dr. André Travessa, da ULS Santa Maria, analisou 17 pessoas com acrodisostose geneticamente confirmada, identificando correlações específicas entre genótipo (informação genética) e fenótipo (características físicas).

A comunicação oral "Rehabilitation in Pycnodysostosis: A Multidisciplinary Approach to Improving Clinical and Mental Outcomes", autoria da equipa de medicina física e de reabilitação do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, em parceria com a ANDO, foi apresentada por Inês Alves, tendo recebido uma menção honrosa! O caso clínico demonstrou melhorias significativas numa mulher de 42 anos com picnodisostose confirmada geneticamente, incluindo aumento de 168,5% na distância de caminhada e redução de 50% no risco de queda. Veja aqui a apresentação.

Este evento consolida Portugal como referência europeia no estudo das displasias ósseas, promovendo a investigação clínica de qualidade e os cuidados especializados para pessoas com estas condições.

Prémio Anual de Investigação Clínica na Área das Displasias

O "Prémio Anual de Investigação Clínica na Área das Displasias Esqueléticas", foi atribuído a Inês Alves, presidente da ANDO, com um artigo do projeto de estudo sobre atividade física (veja aqui a página do projeto), artigo este: "Unveiling the chaos in postural control in adults with achondroplasia" (ver artigo).

Este reconhecimento reforça a relevância da investigação nacional no campo das displasias ósseas e evidencia o contributo ativo da ANDO para o avanço científico, através da sua colaboração contínua em projetos de investigação. Acima de tudo, este estudo só foi possível graças à participação de várias pessoas, a quem agradecemos profundamente!

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