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Criação de linha de vestuário para displasias ósseas – questionário de medidas

A ANDO Portugal iniciou uma parceria com uma  profissional do vestuário do norte de Portugal, a Teresa Vasques, para a criação de uma linha de vestuário para pessoas com displasia óssea.

Um dos fatores de qualidade de vida e bem estar é termos roupa adequada e ajustada ao nosso corpo e idade. Daí este projeto ser muito importante para a ANDO!

Num trabalho em colaboração, desenvolvemos o questionário que se segue para recolha de medidas corporais, incluindo também algumas questões relevantes para compreender as necessidades das pessoas com displasias óssea, como por exemplo a peça de roupa que é mais difícil de vestir e despir.

O objectivo deste projecto é criação de peças de roupa confortáveis, bonitas e acessíveis, para pessoas com displasia óssea, que poderão ser adquiridas com alguns clicks, em loja online.

Responda ao questionário de Levantamento de Medidas aqui

Imagens do questionário

A vossa colaboração é essencial para que este projeto nacional se torne realidade e possa chegar a todos.

Colaborem e divulguem, por todos os vossos contactos com displasias.

Questionário em Português – Levantamento de medidas

Questionário em Espanhol (medidas em cm e kg) – Levantamiento de medidas

Questionário em Inglês (medidas em polegadas e libras) – Size chart questionnaire

Questionário em Inglês (medidas em centímetros e kg) – Size Chart questionnaire

Estudo sobre ganho de peso em lactentes com acondroplasia

Foi publicado em Outubro de 2019 um estudo sobre a evolução ponderal, ou ganho de peso, de lactentes com acondroplasia.

Weight gain velocity in infants with achondroplasia“, foi publicado no American Journal of Medical Genetics, uma revista científica dedicada ao estudo das causas, dos sintomas e da abordagem de doenças congénitas e genéticas humanas.

A alimentação adequada no primeiro ano de vida é importante para a saúde a curto e longo prazo de todas as crianças, e existem riscos associados a ambas, na alimentação excessiva ou em défice (subalimentação). A adequação da alimentação é geralmente avaliada com base no ganho de peso e peso/comprimento, e sabe-se que crianças com displasias ósseas que causam baixa estatura, como a acondroplasia, tem parâmetros de evolução nestas escalas que se distinguem dos de crianças com estatura média.

 Existem curvas para a avaliação do peso e comprimento adequadas para lactentes e criança com acondroplasia em vários países. No entanto, estas curvas não são de acesso generalizado fora de consultas especializadas.

Curvas de crescimento. População argentina. Créditos: del Pino M et al, 2011

No site do Beyond Achondroplasia poderá aceder às curvas mais usadas atualmente.

Este estudo avaliou retrospectivamente (utilizando dados previamente recolhidos) registos de 60 crianças com acondroplasia, avaliadas entre 1998 e 2018

Resultados

  1. A distribuição global da velocidade de ganho de peso ronda as 10-15g/dia entre o nascimento e os 12 meses de idade, podendo variar entre as 8 e 18 g/dia. 
  2. O ganho de peso foi mais acentuado nos primeiros 3 meses, em que a média foi de 23g/dia –  correspondendo aproximadamente ao percentil 3 de ganho de peso dos lactentes sem displasias ósseas.

Estes resultados confirmam que o ganho de peso adequado em lactentes com acondroplasia é mais lento do que em lactentes de estatura média, e é coerente com as curvas de peso adaptadas disponíveis.

Bebé com acondroplasia. Créditos: Beyond Achondroplasia

Lactentes com acondroplasia tipicamente duplicam o peso que tinham ao nascimento aos 12 meses, mas não o chegam a triplicar, enquanto que lactentes sem displasias ósseas tendem ter triplicado o peso por volta desta idade.

Se avaliados pelas curvas de crescimento padrão, metade dos lactentes com acondroplasia seriam classificados como tendo insuficiência estatura-peso, quando na realidade podem estar dentro do adequado para esta população.

Assim, é importante que os profissionais de saúde a fazer seguimento de lactentes e crianças com acondroplasia sejam informados destas diferenças na evolução do peso, e utilizem curvas de crescimento adaptadas, de modo a evitar sobrealimentação e a identificar o baixo peso “verdadeiro” quando este existir.

Resumo gentilmente elaborado pela Dra. Maria Abreu

Referências

  1. Buratti MEEickhoff JModaff PPauli RMLegare JM, “Weight gain velocity in infants with achondroplasia” Am J Med Genet A. 2020 Jan;182(1):146-149
  2. del Pino MFano VLejarraga H, Growth references for height, weight, and head circumference for Argentine children with achondroplasia, Eur J Pediatr. 2011 Apr;170(4):453-9.

“O papel do Fisioterapeuta nas Displasias Ósseas” – poster na TSDT RAM

Poster na TSDT RAM

No dia 30 de Novembro 2019, a ANDO Portugal marcou presença no II Encontro dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica da Região Autónoma da Madeira com o poster “O papel do Fisioterapeuta nas Displasias Ósseas “, da autoria da jovem Fisioterapeuta Joana Parreira (Escola Superior de Saúde de Leiria- ESSLei; ES Porto) e da Dra. Inês Alves, presidente da ANDO. O poster promoveu o trabalho de pesquisa individual e colaborativa, cujo com ponto principal foi a Bolsa ANDO, ganha pela Joana nesta primeira edição de 2019. O trabalho realizado informa sobre parcerias com as escolas superiores, instituições ou pessoas que contribuíram para o seu desenvolvimento e sucesso. A Joana Parreira está ainda a trabalhar num outro documento sobre a acondroplasia e pseudoacondroplasia a apresentar em breve. Muitos Parabéns à Joana!

O poster  esteve exposto durante o dia do congresso e os participantes tiveram a oportunidade de retirar as suas dúvidas e realizar as suas perguntas com a Fisioterapeuta Cláudia Aguiar, representante da ANDO Portugal, uma vez que os autores foram convidados a estar junto dos cartazes durante os coffee breaks.

Plateia na TSDT RAM

O II Encontro de TSDT RAM, que ocorreu no Hotel Vila Galé Santa Cruz foi dedicado ao tema “Do Diagnóstico à Terapêutica”, e, contou com a presença do Secretário Regional da Saúde e Protecção Civil Dr. Pedro Ramos, bem como a Presidente do Conselho de Administração do SESARAM, Dra. Rafaela Fernandes, entre outras entidades oficiais presentes. Todos os temas abordados permitiram uma vasta partilha de conhecimentos entre os profissionais de saúde (regionais e nacionais) de diversas especialidades ali presentes e permitiram dar mais um passo em direcção da melhoria, eficiência e excelência dos serviços disponibilizados no acompanhamento ao utente.

Zona dos posters

Parabéns a toda a comissão organizadora, representada na pessoa da Presidente da Associação TSDT-RAM, Dra. Marisa Gonçalves, por todo o empenho, dedicação e trabalho que permitiram aos 200 profissionais presentes saírem mais enriquecidos depois deste dia de intenso trabalho e partilha.

Por último, tudo isto foi possível pela ação e dinamização da Cláudia Aguiar, a quem agradecemos todo o apoio e representação da ANDO.

Apresentação do livro”Deficiência, Nanismo e Mercado de Trabalho”

No passado sábado, dia 21 de setembro 2019, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência no Brasil, falou-se de Displasias Ósseas em Portugal.
Foi apresentada, no Palácio Baldaya em Lisboa, a obra pioneira no nosso país intitulada ” Deficiência, Nanismo e Mercado de Trabalho – Dinâmicas de inclusão e exclusão“.

Pedimos umas palavras sobre este momento ao autor, amigo e sociólogo, Raul Tomé.


Contámos com a casa cheia. Cheia de gente que se importou, cheia de gente que quis saber mais sobre Displasias Ósseas, cheia de gente que quis aprender, cheia de gente que quis contribuir para esta causa.
Gente que não ficou em casa num dia de chuva copiosa, gente que a chuva não demoveu, gente que compareceu por um desígnio maior.
Connosco e sempre de mão dada esteve a ANDO Portugal, representada por Lia Silva, cujo enriquecedor contributo nos deixou a todos de coração cheio.
Existiram desabafos, lágrimas, gratidão e generosidade.
E ficou a esperança de que podemos e devemos, sempre, acreditar.
Ficou a certeza de que estamos no caminho certo, de que o futuro é nosso e de que ainda há tanto por fazer. A certeza de que não podemos desistir. Nunca!
Ficou, ainda, a inabalável convicção de que não estamos sós!
A todos e a todas, o nosso profundo agradecimento.
Fica a promessa de que não iremos parar e de que continuaremos a fazer mais, muito mais! Sempre mais!
OBRIGADO

Muito Obrigado, Raul, pelo trabalho e dedicação e apoio incondicional à ANDO portugal.

Deficiência, Nanismo e Mercado de Trabalho

“Deficiência, Nanismo e Mercado de Trabalho – Dinâmicas de Inclusão e Exclusão” é o título do primeiro livro de Raul Tomé, Sociólogo ex-cronista do Jornal de Negócios.

Nota do autor:

Tendo presente que o corpo pode apresentar desvantagens relativamente à estética, à dinâmica e à performance exigida e/ou expectável, o presente livro focar-se-á na deficiência específica do nanismo, indivíduos sobre os quais quase nada se sabe dada a sua invisibilidade social, o seu reduzido número em Portugal e a escassez de estudos sobre tal população.  

A temática em apreço assume especial importância numa época em que é aclamado o direito à igualdade e se produz vasta legislação antidiscriminatória, bem como a implementação de políticas públicas que preveem diversificados incentivos financeiros à contratação destes indivíduos. A ineficácia que a legislação tem evidenciado ao longo do tempo, conduz à necessidade de se procurarem as causas desse fato e de examinar a existência de alguma relação entre tal ineficácia e o desconhecimento que os atores sociais dela possam ter.  

Raul Tomé

Raul Tomé apresentou a sua tese de mestrado no 1º Encontro Nacional ANDO, em 2017, também sobre a inclusão e empregabilidade de pessoas com nanismo.

Estará presente no 3º Encontro Nacional ANDO, com a apresentação “Emprego e oportunidades no mercado de trabalho”. E será lançando, no mesmo dia, o seu livro “Deficiência, Nanismo e Mercado de Trabalho – Dinâmicas de Inclusão e Exclusão”. O livro estará à venda pela primeira vez no átrio do auditório da ESEC onde se realizará o Encontro, no dia 29 de Junho 2019.

Terá a oportunidade de colocar as suas questões diretamente ao Raul Tomé, assim como a muitos outros profissionais de áreas relacionadas com as displasias ósseas, nomeadamente profissionais de saúde, psicólogos e do desporto adaptado. Não perca esta oportunidade, saiba mais sobre o encontro e inscreva-se aqui no 3º Encontro Nacional ANDO.

O livro estará disponível para aquisição durante o Encontro Nacional, sendo que todos os direitos de autor, reverterão para a associação, um apoio do Raúl Tomé à ANDO.

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Pessoas com Deficiência em Portugal – Indicadores de Direitos Humanos 2018

O Observatório da Deficiência e Direitos Humanos (ODDH) desenvolveu um relatório sobre os progressos alcançados em Portugal na área dos direitos humanos no que toca às pessoas com deficiência.

O relatório, intitulado “Pessoas com Deficiência em Portugal – Indicadores de Direitos Humanos 2018reúne e analisa dados estatísticos indicadores que refletem a situação das pessoas com deficiência em Portugal em 3 áreas fundamentais:

  • a educação;
  • o trabalho;
  • as condições de vida e proteção social.

Comparando os valores dos indicadores em Portugal com os de anos anteriores ou com os valores apresentados por entidades internacionais (nomeadamente valores médios da União Europeia), permite medir o progresso feito em Portugal na implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD). A CDPD é o documento que reflete os direitos fundamentais das pessoas com deficiência, reconhecendo os fatores que dificultam a sua plena participação na sociedade e definindo as obrigações dos Governos na integração destes fatores nas políticas tomadas [1].

Por ser uma parte fundamental da existência humana, o trabalho é o tema de destaque do relatório deste ano, olhado para indicadores como a taxa de desemprego de pessoas com deficiência vs pessoas sem deficiência, empregabilidade e apoios à adaptação de postos de trabalho.

Educação de pessoas com deficiência em Portugal
Figura 1 – Resumo dos indicadores analisados sobre a educação de pessoas com deficiência (clique na imagem para aumentar). Fonte: ODDH.
Trabalho de pessoas com deficiência em Portugal
Figura 2 – Resumo dos indicadores analisados sobre o trabalho de pessoas com deficiência (clique na imagem para aumentar) . Fonte: ODDH.
Condições de vida de pessoas com deficiência em Portugal
Figura 3 Resumo dos indicadores analisados sobre as condições de vida e proteção social de pessoas com deficiência (clique na imagem para aumentar) . Fonte: ODDH.

Este documento foi desenvolvido no seguimento de um relatório de 2017 contribuindo, mais uma vez, para colmatar a falta de dados estatísticos relativos a este grupo de pessoas. Pode ver o relatório na íntegra aqui assim como o seu resumo.

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Fontes

  1. Instituto Nacional de Reabilitação. (2014). Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
  2. Pinto, P. C., Pinto, T. J., Neca, P., Vide, J., & Kuznetsova, Y. (2018). PESSOAS COM DEFICIÊNCIA EM PORTUGAL: INDICADORES DE DIREITOS HUMANOS 2018.

Bolsa ANDO 2019

A Bolsa ANDO 2019 foi um estágio extracurricular de 2 semanas intensivas em ambiente hospitalar. Esta 1ª edição decorreu entre 6 a 20 de Julho de 2019, no Hospital Pediátrico Nemours/Alfred I. duPont, em Wilmington, Delaware, EUA, com a coordenação do Dr. William Mackenzie.

Os alunos selecionados foram:

  • Joana Parreira  – fisioterapia
  • Gonçalo Perry da Câmara – Medicina

Este estágio permitiu aos dois alunos selecionados observar, questionar e explorar diversos temas relacionados com as displasias ósseas, com acesso à área de fisioterapia, ao bloco operatório e à clínica multidisciplinar para as displasias ósseas deste hospital. 

As 2as Jornadas de Doenças Ósseas Raras em foco

No dia 15 de Fevereiro 2019, teve lugar a 2ª edição das Jornadas de Doenças Ósseas Raras organizadas pela Equipa Multidisciplinar de Doenças Ósseas Raras do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, com coordenação do Prof. Doutor Sérgio Sousa.

Os temas abordados foram diversos, com relevo para a Otorrinolaringologia e Ortodontia nas displasias ósseas, com referência a estudos de caso e lembrando que as displasias são muito distintas entre si, o que aumenta a complexidade do seguimento. Não obstante, a Dra. Ana Bento Roseiro, da faculdade de Medicina dentária de Coimbra, com integração na equipa multidisciplinar, referiu de forma muito visual distintas alterações dentárias e orais que vulgarmente reduzem a capacidade respiratória, o que faz com que cirurgias específicas e invasivas como as Le Fort I,II ou III sejam escolha para a resolução de situações de vários casos clínicos, no sentido de aumentar a funcionalidade e qualidade de vida da criança. Foi referido que as crianças com displasias deverão ser observadas por um ortodontista a partir dos 5 anos (e casos de mucopolissacaridoses a partir dos 3 anos)

Imagem 1. Dra. Ana Roseiro na sua apresentação dando exemplo de alterações da dentição e cavidade oral
Imagem 2. Como as alterações dentárias e bucais reduzem a capacidade respiratória

Seguiram-se os primeiros oradores internacionais com a Dra. Melita Irving, do Hospital Guy´s and St Thomas, em Londres, sobre desenvolvimento de novos tratamentos e ensaios clínicos, com especial foco nos que estão em curso para a acondroplasia, assim como a importância de estudos observacionais, que antecedem estes ensaios clínicos de forma a ser possível avaliar a eficácia dos tratamentos com medições antropométricas (corporais) antes do tratamento versus medicões durante o tratamento.

Imagem 3. Dra. Melita Irving numa das sessões sobre novos tratamentos em displasias ósseas

Seguiu-se após intervalo de almoço, um painel sobre Alongamentos ósseos em acondroplasia e outras displasias ósseas, com participação de clínicos nacionais e internacionais: Dr. João Cabral do Hospital Pediátrico de Coimbra, Dr. Pedro Jordão do Hospital de D. Estefânia, Lisboa finalizando com a Dra. Stephanie Bohm, do Hospital Universitário Karolinska, de Estocolmo, Suécia. Foram apresentadas as experiências dos diversos centros com os alongamentos ósseos e quais as técnicas utilizadas.

Imagem 4. Painel de discussão sobre alongamentos ósseos

As sessões fecharam com uma mesa redonda sobre a “Transição para a idade adulta – seguimento multidisciplinar de displasias ósseas”, com intervenções da Dra. Alice Mirante, pediatra endocrinologista, co-coordenadora da equipa multidisciplinar de displasias do hospital pediátrico; Dr. Armando Malcata, reumatologista, coordenador da equipa multidisciplinar de adultos, Inês Alves, ANDO Portugal e M. Céu Barreiros, APOI (Associação Portuguesa de Osteogenesis Imperfecta).

Imagem 5. Mesa redonda, da esquerda para a direita: Inês Alves, Armando Malcata, Alice Mirante e M.Céu Barreiros

A Dra. Alice Mirante abriu a mesa para dar a conhecer como a equipa multidisciplinar no pediátrico está constituída, quais são os clínicos e as especialidades envolvidas e como tem sido na globalidade esta experiência de enorme relevo para clínicos e crianças com displasias. Seguiu-se M. Céu Barreiros com a apresentação dos resultados do questionário compreensivo sobre a Transição de cuidados da idade pediátrica para a idade adulta. Este questionário foi criado numa parceria ANDO-APOI e em 2 semanas, foi possível obter 40 respostas de pessoas com displasias com mais de 18 anos. O nosso agradecimento ao empenho da Céu e APOI nesta parceria. Em breve, apresentaremos aqui uma notícia completa sobre os dados recolhidos com o questionário.

Imagem 6. Questionário compreensivo

E em continuidade, Inês Alves abordou como é essencial existir um plano de transição de cuidados, quer para o melhor seguimento dos pacientes, quer para melhoria dos serviços prestados pelos clínicos e da sua experiência transformada em conhecimento com aumento de casos observados. Esta apresentação foi finalizada com um momento alto, de testemunhos de pessoas com displasias que estão em fase de transição hospital pediátrico-hospital de adultos ou que já estão em idade adulta e como gostariam que a sua fase de transição tivesse sido. A mesa foi fechada pelo Dr. Armando Malcata, que com grande simplicidade e humildade, partilhou a sua visão de como é ser coordenador de uma equipa que ainda está em formação, todos os desafios que tem passado e prevê passar, mas com determinação de criar uma equipa multidisciplinar conhecedora e humana. Deu-nos a saber como este processo requer energia e vontade para estudar, pesquisar, capacidade de perguntar, analisar e aplicar tempo para desenvolver uma equipa multidisciplinar pediátrica e de adultos, assegurando a melhor transição possível.

Queremos deixar aqui o nosso mais sincero agradecimento a todos os clínicos envolvidos na equipa multidisciplinar de displasias ósseas pediátrica e na equipa de adultos em formação.

E um especial agradecimento ao Samuel, à Micaela e ao Miguel pelos seus testemunhos que engrandeceram a nossa apresentação e lhe deram um significado real. Houve vários comentários após todas as apresentações com notório interesse da plateia o que vemos como muito positivo.

Imagem 7. Prof. Doutro Sérgio Sousa, Inês Alves e M. Céu Barreiros no final da mesa redonda

E o nosso maior reconhecimento de profissionalismo e amizade é dedicado ao Prof. Doutor Sérgio Sousa, pelo seu empenho, enorme conhecimento e humanidade para como todas as crianças e famílias que segue, pela sua dedicação e estímulo de criação de novos conhecimentos sobre displasias ósseas e pela sua disponibilidade de numa agenda apertada, ser ainda co-coordenador da equipa multidisciplinar de displasias ósseas e coordenador das jornadas de doenças ósseas raras.

As jornadas terminaram com a apresentação de 13 comunicações orais, maioritariamente de casos clínicos de displasias ósseas.

ANDO no 3rd Multistakeholder Symposium da EURORDIS

Facebook share 3rd multistakeholder symposium

O 3rd Multistakeholder Symposium sobre a melhoria do acesso dos pacientes a terapias de doenças raras, organizado pela EURORDIS, deu-se nos dias 13 e 14 de Fevereiro. Envolveu todas as partes interessadas envolvidas no acesso de terapias para doenças raras ao mercado (empresas farmacêuticas, comissão europeia, associações de pacientes e a European Medicines Agency), contando com a presença da ANDO.

Contou com 280 participantes que discutiram diversos temas de relevo, procurando soluções para acelerar o acesso destes medicamentos ao mercado sem por em causa os pacientes.

O simpósio começou com uma introdução do Dr. Yann le Cam, CEO da EURORDIS, que alertou para a questão de 37% dos medicamentos órfãos serem indicados para oncologia, correspondendo a 53% das vendas totais de medicamentos órfãos na Europa. Na prática, os cancros raros são apenas uma pequena parte das doenças raras, acentuando esta discrepância no investimento entre os cancros raros e a generalidade das doenças raras.

percentagens de doenças raras e investimento na europa
Os medicamentos órfãos oncológicos constituem 37% de todos os medicamentos órfãos e 53% das vendas de medicamentos órfãos na Europa em 2018.

Falou-se também da importância da transparência no Early Dialogue da indústria farmacêutica com os corpos de Avaliação das Tecnologias da Saúde (HTA, em Portugal o INFARMED) dos Estados Membros (EM) da União Europeia (EU). Este processo visa acelerar o processo de aceitação dos medicamentos no mercado, ao incorporar os indicadores necessários em cada EM no processo de desenvolvimento. Neste contexto, e numa perspetiva de aumento da eficiência do processo, também se referiu da consistência do feedback entre os intervenientes, da compensação dos pacientes ou assistência com custos de participação e da questão dos conflitos de interesse, que se sugeriu que devia ter critérios menos rígidos, de modo a facilitar a inclusão de pacientes.

Ainda numa perspetiva de eficiência, referiu-se que o International Rare Diseases Consortium (IRDiRC) vai disponibilizar um conjunto de ferramentas para os pacientes o clínicos participarem no processo de deliberação das HTA, criando documentação sobre as doenças e tratamentos disponíveis.

A EURORDIS sugeriu que se criasse um fundo Europeu para reduzir os custos de investigação e estimular a geração de Dados do Mundo Real após o lançamento do medicamento no mercado. Este fundo estaria disponível para as empresas utilizarem no processo de investigação e, em contrapartida, teriam de reduzir o preço do medicamento durante os primeiros anos no mercado. As empresas presentes responderam que isto seria útil apenas para as pequenas empresas.

preços dos medicamentos na europa
O custo anual da maior parte dos medicamentos órfãos na Europa está abaixo dos $50,000, enquanto que o valor mediano nos EUA é de ~$32,000.
Deu-se grande relevância à necessidade de concordância no processo de avaliação dos medicamentos e estabelecimento do preço dos mesmos nos EM, aumentando a transparência.

De momento cada Estado Membro estabelece os seus critérios que não só torna o processo pouco transparente, como também atrasa muito a comercialização dos produtos. A maioria dos presentes concordaram que uma abordagem colaborativa entre os HTA, pacientes e indústria seria útil, criando um processo de acesso ao mercado europeu único. Andzej Rys, Diretor dos Sistemas de Saúde, Produtos Medicinais e Inovação do Diretorado Geral de Saúde e Segurança Alimentar (DG SANTE) da Comissão Europeia, referiu que estavam a ser dados passos para que as deliberações das HTA se tornassem públicas e transparentes.

O evento ainda contou com 4 sessões participativas, das quais pudemos participar em duas. Na primeira tivemos a oportunidade de discutir melhorias que podiam ser feitas ao diálogo entre as farmacêuticas e as agências de HTA para otimizar a determinação do valor dos medicamentos para o consumidor. Determinaram-se algumas áreas onde podem ser introduzidas melhorias, nomeadamente na transparência (por exemplo, incluindo mais partes interessadas), compensação dos pacientes e a consistência do envolvimento dos pacientes (melhor gestão do seu feedback e simplificação da sua participação).

Recomendações relacionadas com as sessões participativas
Recomendações relacionadas com as sessões participativas e derivadas das mesmas.

Na segunda sessão foram discutidos os protocolos de cooperação para determinação de preços justos existentes entre os EM da EU, tal como o compreendido no Benelux, o bloco económico da Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo. Falou-se do impacto que têm tido nos orçamentos de saúde dos países envolvidos e se seria possível escalá-los para o nível Europeu, criando, como mencionado acima, critérios comuns para todos os EM. Embora a Comissão Europeia dê pareceres e informação para ajudar no processo de decisão de financiamento e reembolso dos medicamentos para os EM, não há concordância entre os EM em relação aos resultados e dados mais importantes para este processo. Por esta razão, é difícil de aumentar a escala destas parcerias para uma organização que envolve países com culturas e valores muito diferentes.