As 2as Jornadas de Doenças Ósseas Raras em foco

No dia 15 de Fevereiro 2019, teve lugar a 2ª edição das Jornadas de Doenças Ósseas Raras organizadas pela Equipa Multidisciplinar de Doenças Ósseas Raras do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, com coordenação do Prof. Doutor Sérgio Sousa.

Os temas abordados foram diversos, com relevo para a Otorrinolaringologia e Ortodontia nas displasias ósseas, com referência a estudos de caso e lembrando que as displasias são muito distintas entre si, o que aumenta a complexidade do seguimento. Não obstante, a Dra. Ana Bento Roseiro, da faculdade de Medicina dentária de Coimbra, com integração na equipa multidisciplinar, referiu de forma muito visual distintas alterações dentárias e orais que vulgarmente reduzem a capacidade respiratória, o que faz com que cirurgias específicas e invasivas como as Le Fort I,II ou III sejam escolha para a resolução de situações de vários casos clínicos, no sentido de aumentar a funcionalidade e qualidade de vida da criança. Foi referido que as crianças com displasias deverão ser observadas por um ortodontista a partir dos 5 anos (e casos de mucopolissacaridoses a partir dos 3 anos)

Imagem 1. Dra. Ana Roseiro na sua apresentação dando exemplo de alterações da dentição e cavidade oral
Imagem 2. Como as alterações dentárias e bucais reduzem a capacidade respiratória

Seguiram-se os primeiros oradores internacionais com a Dra. Melita Irving, do Hospital Guy´s and St Thomas, em Londres, sobre desenvolvimento de novos tratamentos e ensaios clínicos, com especial foco nos que estão em curso para a acondroplasia, assim como a importância de estudos observacionais, que antecedem estes ensaios clínicos de forma a ser possível avaliar a eficácia dos tratamentos com medições antropométricas (corporais) antes do tratamento versus medicões durante o tratamento.

Imagem 3. Dra. Melita Irving numa das sessões sobre novos tratamentos em displasias ósseas

Seguiu-se após intervalo de almoço, um painel sobre Alongamentos ósseos em acondroplasia e outras displasias ósseas, com participação de clínicos nacionais e internacionais: Dr. João Cabral do Hospital Pediátrico de Coimbra, Dr. Pedro Jordão do Hospital de D. Estefânia, Lisboa finalizando com a Dra. Stephanie Bohm, do Hospital Universitário Karolinska, de Estocolmo, Suécia. Foram apresentadas as experiências dos diversos centros com os alongamentos ósseos e quais as técnicas utilizadas.

Imagem 4. Painel de discussão sobre alongamentos ósseos

As sessões fecharam com uma mesa redonda sobre a “Transição para a idade adulta – seguimento multidisciplinar de displasias ósseas”, com intervenções da Dra. Alice Mirante, pediatra endocrinologista, co-coordenadora da equipa multidisciplinar de displasias do hospital pediátrico; Dr. Armando Malcata, reumatologista, coordenador da equipa multidisciplinar de adultos, Inês Alves, ANDO Portugal e M. Céu Barreiros, APOI (Associação Portuguesa de Osteogenesis Imperfecta).

Imagem 5. Mesa redonda, da esquerda para a direita: Inês Alves, Armando Malcata, Alice Mirante e M.Céu Barreiros

A Dra. Alice Mirante abriu a mesa para dar a conhecer como a equipa multidisciplinar no pediátrico está constituída, quais são os clínicos e as especialidades envolvidas e como tem sido na globalidade esta experiência de enorme relevo para clínicos e crianças com displasias. Seguiu-se M. Céu Barreiros com a apresentação dos resultados do questionário compreensivo sobre a Transição de cuidados da idade pediátrica para a idade adulta. Este questionário foi criado numa parceria ANDO-APOI e em 2 semanas, foi possível obter 40 respostas de pessoas com displasias com mais de 18 anos. O nosso agradecimento ao empenho da Céu e APOI nesta parceria. Em breve, apresentaremos aqui uma notícia completa sobre os dados recolhidos com o questionário.

Imagem 6. Questionário compreensivo

E em continuidade, Inês Alves abordou como é essencial existir um plano de transição de cuidados, quer para o melhor seguimento dos pacientes, quer para melhoria dos serviços prestados pelos clínicos e da sua experiência transformada em conhecimento com aumento de casos observados. Esta apresentação foi finalizada com um momento alto, de testemunhos de pessoas com displasias que estão em fase de transição hospital pediátrico-hospital de adultos ou que já estão em idade adulta e como gostariam que a sua fase de transição tivesse sido. A mesa foi fechada pelo Dr. Armando Malcata, que com grande simplicidade e humildade, partilhou a sua visão de como é ser coordenador de uma equipa que ainda está em formação, todos os desafios que tem passado e prevê passar, mas com determinação de criar uma equipa multidisciplinar conhecedora e humana. Deu-nos a saber como este processo requer energia e vontade para estudar, pesquisar, capacidade de perguntar, analisar e aplicar tempo para desenvolver uma equipa multidisciplinar pediátrica e de adultos, assegurando a melhor transição possível.

Queremos deixar aqui o nosso mais sincero agradecimento a todos os clínicos envolvidos na equipa multidisciplinar de displasias ósseas pediátrica e na equipa de adultos em formação.

E um especial agradecimento ao Samuel, à Micaela e ao Miguel pelos seus testemunhos que engrandeceram a nossa apresentação e lhe deram um significado real. Houve vários comentários após todas as apresentações com notório interesse da plateia o que vemos como muito positivo.

Imagem 7. Prof. Doutro Sérgio Sousa, Inês Alves e M. Céu Barreiros no final da mesa redonda

E o nosso maior reconhecimento de profissionalismo e amizade é dedicado ao Prof. Doutor Sérgio Sousa, pelo seu empenho, enorme conhecimento e humanidade para como todas as crianças e famílias que segue, pela sua dedicação e estímulo de criação de novos conhecimentos sobre displasias ósseas e pela sua disponibilidade de numa agenda apertada, ser ainda co-coordenador da equipa multidisciplinar de displasias ósseas e coordenador das jornadas de doenças ósseas raras.

As jornadas terminaram com a apresentação de 13 comunicações orais, maioritariamente de casos clínicos de displasias ósseas.

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